sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

História da Ilha Anchieta




 Até o início do século XIX o local era conhecido como Terra de Cunhambebe posteriormente batizada como Ilha dos Porcos. Em 1850 sediou uma base naval inglesa destinada a caça de navios negreiros. Em 1904 o Governo de São Paulo resolveu instalar um presídio na Ilha dos Búzios, próxima à Ilha de São Sebastião.

 Dificuldades para atingir a Ilha dos Búzios fizeram com que o então Secretário de Justiça instalasse o Presídio na Ilha dos Porcos inaugurado em 1908 com o nome de Colônia Correcional do Porto das Palmas.

 Em 19 de março de 1934 por projeto dos deputados Cirinato Braga e Manoel Hipólito do Rego a Ilha passou a chamar-se Ilha Anchieta como parte das homenagens do quarto centenário do nascimento do "Apóstolo dos Gentios".

 Entre 1931 e 1933 foi transformada em presídio político. Em 1942 passou a chamar-se Instituto Correcional da Ilha Anchieta.

 O sangue veio no dia 20 de junho de 1952. Tinha mais de quatrocentos e cinqüenta presos na ilha, muitos deles eram bons e trabalhavam para manter a organização e o conforto do presídio. Uns faziam comida, outros cuidavam da limpeza, tinha os que eram servos nas casas dos servidores e tinha também a turma que cortava lenha nas matas das redondezas. Foi nessa história de corta lenha que o sangue jorrou. O preso de apelido “Portuga” foi quem elaborou todo plano da rebelião para fugirem do presídio da Ilha. Reunido com: João Pereira Lima, China Show, Gerico, Ildefonso, Mocoroa, Sete Dedos, Diabo Loiro, e outros dos mais perversos bandidos do país; Portuga revelou seu plano... No dia 20, mais de 100 presos saíram para transportar a lenha já cortada no dia anterior, tendo como escolta, apenas dois soldados e dois funcionários do presídio. Diante da amizade e descontração que foi cuidadosamente planejado entre os presos para com os policiais, em certa hora, Pereira Lima, retirou o fuzil do soldado, e assim o motim começou. Lá na mata, mataram os dois soldados, amarraram os dois funcionários e se dirigiram para o presídio. Com as armas de fogo dentro de feixes de lenha, passaram, como sempre, em frente ao quartel, onde em golpes súbitos atacaram, atirando e matando os policiais que faziam a guarda. Foi aí que o sangue começou a jorrar, dominaram a sala de armas e tomaram conta de tudo. Muitos soldados morreram tentando defender o quartel e muitos outros foram mortos apenas por vingança ou satisfazer a sede assassina de matar. A vitória dos presos foi completa. “Em meio a todo aquele massacre, uma voz se fez ouvir: “Se eu souber que uma mulher ou criança foi maltratada, o autor terá morte pelas minhas mãos”. Era o chefe da rebelião, João Pereira Lima, falando alto para todos ouvirem e ainda acrescentou: “Nosso fim é a fuga...” Esperavam o barco Ubatubinha que traria mantimentos, mas não apareceu... Sabendo que aquela história não ia ficar assim, alguns do comando de Pereira Lima fugiram no “Carneiro da Fonte”, que era a lancha da ilha, rumo à praia de Ubatumirim. Nesta travessia muitos presos foram jogados ao mar para aliviar a embarcação. Outros presos fugiram de canoas onde ganharam as matas e serras de Ubatuba.
 Foi a maior rebelião do mundo; foi preciso a Polícia Civil, Marítima, Polícia Militar de São Paulo e Fluminense, além da Marinha, Exército e Aeronáutica, para capturar e acabar com a rebelião. O balanço dessa tragédia foi que fugiram 129 presos, sendo 108 recapturados, morreram 18 presos, 8 policiais, 2 funcionários civis
  A revolta decretou o fim do presídio, desativado em 1955. Finalmente, em 29 de março de 1977, o Decreto Estadual 9.629 transformou a ilha em Parque Estadual com área de 1.000 hectares abrangendo a Ilha Anchieta (828 hectares) e as ilhas das Palmas, das Cabras e a Laje das Palmas.




Um comentário:

  1. muito bom o artigo!!! Parabéns. Conheço a Ilha e ao ler seu texto viajei na história. =)

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